A copa do mundo é disputada desde 1930 e reúne em um único evento os maiores jogadores do planeta. Nos seus quase 90 anos de história, grandes seleções foram vistas nos gramados deste quintal que chamamos de terra. Algumas delas foram inesquecíveis!

O Leitura de jogo listou 8 seleções que não saem da memória dos amantes do futebol. Algumas pela genialidade de seus jogadores, como o Brasil de 1970 e ou a Argentina de 1986. Outras pelas vitórias emblemáticas como a Itália de 1982 e Inglaterra de 1966. Algumas talvez pelo conjunto tão bem montado e sincronizado como a Alemanha de 1990 ou a França de 1998. E outras, nem sequer venceram, mas encantaram o mundo, como o carrossel holandês de 1974 ou o Brasil de 1982.

Não importa o motivo, estas seleções marcaram a história do futebol. E aqui contamos suas histórias.

Brasil 1970

No dia 17 de Março de 1970 o treinador Saldanha foi demitido do comando da seleção brasileira. Faltando 78 dias para a estreia do Brasil na Copa do Mundo, a seleção fica sem comando. Mesmo com 100% de aproveitamento nas eliminatórias, o treinador se viu desgastado por declarações sobre alguns jogadores, como Gérson, Tostão e até Pelé.

Então, o inexperiente Zagallo, campeão como jogador em 1958 e 1962, assume o comando daquela que seria para muitos, a maior seleção de todos os tempos.

A seleção contava com Felix como goleiro, que não era uma unanimidade, visto que muitos preferiam Leão. Na lateral direita o primeiro mito do time: Carlos Alberto Torres, considerado por muitos o melhor lateral de todos os tempos. A zaga era composta por Brito e Piazza, este último ídolo do Cruzeiro nos anos 60 e 70. A lateral esquerda era de Everaldo, que virou estrela na camisa do Grêmio: diferente do que muitos acreditam, a estrela dourada na camisa tricolor não representa nenhum título e sim, é uma homenagem a Everaldo, morto precocemente em acidente de carro em 1974.

E do meio para frente, muito talento, como jamais se viu. Clodoaldo, ídolo do Santos, seu auge na carreira foi aquele mundial. Gérson, o canhotinha de ouro, consagrado pelos passes precisos e lançamentos perfeitos. Rivelino, foi outro canhoto extraordinário e criador do drible “elástico”, até hoje usado pelos craques do planeta. Jairzinho, chamado de “furacão da copa”, marcou gols em todos os jogos e foi decisivo na conquista do título. O meia atacante era Tostão, cérebro do time, visão de jogo impecável e técnica apurada. E para fechar, o rei do futebol, que não precisa de apresentações: Pelé, simplesmente, o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Pelé sendo levantado por Jairzinho na Copa de 1970

Foi uma copa impecável. Começou com uma goleada sobre a seleção Tcheca (vice campeã do mundo em 1962), por 4 x 1, com gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho, que marcou 2 vezes nessa partida e também marcou em todos os jogos desta copa do mundo. O jogo seguinte foi uma vitória apertada contra a seleção que era a atual campeã do mundo, a Inglaterra. O Brasil venceu pelo placar de 1 x 0, com gol de Jairzinho. O Brasil então fecha a fase de grupos com mais uma vitória diante da Romênia, pelo placar de 3 x 2, com 2 gols de Pelé e 1 de Jairzinho.

Na seguinte fase, as quartas de final, o Brasil enfrentou a seleção peruana, que faria aquela que seria a melhor campanha até hoje em uma copa do mundo (ficou no 7o lugar). O Brasil venceu por 4 x 2, com gols de Rivelino, Jairzinho e Tostão, que marcou duas vezes. Na semifinal, o Brasil enfrentou o Uruguai, bicampeão do mundo, e venceu por 3 x 1, com gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino.

Chegamos na grande final. A goleada de 4 x 1 sobre a seleção italiana, foi uma das melhores atuações jamais vistas de um time de futebol. Especialmente pelo segundo tempo.

O Brasil abriria o marcador com Pelé aos 18 minutos do 1 tempo e veria a Itália empatar aos 37 da etapa inicial. Mas no segundo tempo, só deu Brasil. Com gols de Gérson, aos 21, Jairzinho aos 26 e Carlos Alberto, aos 41 do segundo tempo, o Brasil conquistou o título e o mundo, com 6 vitórias em 6 jogos.

A seleção brasileira de 70 foi eleita pela revista World Soccer como a melhor equipe de futebol de todos os tempos.

Time base: Felix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jairzinho, Tostão e Pelé.
Treinador: Mário Zagallo

Argentina 1986

Seleção Argentina Copa do Mundo 1986

Embora seja impossível pensar na Argentina de 1986, sem lembrar de Maradona, é preciso reconhecer que ele estava muito bem acompanhado. A seleção Argentina de 1986 foi uma equipe sólida, consistente e efetiva. E Maradona, o toque de genialidade de uma equipe que sabia como afrontar os seus desafios.

A seleção argentina tinha um grande goleiro, Pumpido, ídolo do River Plate e consagrado como um dos maiores da história dos hermanos. Jogava com 3 zagueiros, Cuciuffo, Brown e Ruggeri, este último, um dos mais consagrados zagueiros da história argentina. Os alas, Olarticoechea e Giusti eram precisos na marcação e no ataque, dando consistência ao time por ambos os lados. Hector Enrique e Sérgio Batista eram os volantes, encarregados da recuperação e de servir a genialidade de Maradona e seus companheiros, Burruchaga e Valdano, responsáveis pelos gols da conquista.

A Argentina na Copa do Mundo de 1986 venceu 5 dos 6 jogos que disputou. Fez sua estreia diante da Coreia do Sul, com vitória por 3 x 1, com 2 gols de Valdano e 1 do zagueiro Ruggeri. No seguinte jogo, o único empate na competição, 1 x 1 frente a Itália, quem era a atual campeã do mundo. O gol argentino foi marcado por Maradona, seu primeiro gol naquele mundial. No último jogo da fase de grupos, a vitória por 2 x 0, com gols de Valdano e Burruchaga, daria a classificação em primeiro lugar no grupo, ao time argentino.

No jogo das oitavas, o adversário era o Uruguai, e a Argentina venceu com dificuldade, por 1 x 0, gol do atacante Pasculli, escalado para esse jogo, com a alteração do esquema tático para um 4-3-3.

Nas quartas de final, talvez o mais emblemático jogo daquela copa do mundo: Argentina e Inglaterra. Aos 6 minutos do 2 tempo, “la mano de Dios” entraria em ação para abençoar os argentinos com a abertura do marcador.

E apenas 4 minutos depois, Maradona marcaria um dos mais belos gols da história da copa do mundo, ao avançar desde o seu campo com a bola, superando todos os adversários e concluindo para as redes já dentro da pequena área. A Inglaterra ainda descontou com um gol quase ao final da partida, mas a vitória de 2 x 1 colocava a Argentina na semifinal e com o carimbo de favorita.

Na semifinal, enfrentou a seleção belga, que buscava a consolidação de uma geração formada no país desde 1980. E a Bélgica bem que tentou fazer frente ao time argentino, porém, Maradona, de novo ele, acabou com o jogo e marcou 2 vezes, aos 6 e aos 18 do 2 tempo para encantar 110 mil torcedores presentes no estádio Azteca, na cidade do México. Argentina na final.

Na grande decisão, quase 115 mil pessoas presentes no estádio Azteca. Logo aos 23 minutos do 1 tempo, Maradona é parado com falta (única maneira de frear o craque argentino). Burruchaga cruza na área e o zagueiro Brown, de cabeça, abre o marcador. Já na etapa complementar, aos 10 minutos, contra-ataque mortal argentino, bola de pé em pé e Valdano fica na cara do goleiro para marcar 2 x 0. Título encaminhado. Parecia. A Alemanha vai para o tudo ou nada e chega ao empate, marcando 2 gols, aos 29 e aos 40 do segundo tempo. A alegria alemã, no entanto, dura pouco. Apenas 3 minutos depois, Burruchaga arranca em velocidade com a bola dominada e com o campo aberto, para tocar na saída desesperada do goleiro Schumacher, marcando o terceiro gol dos argentinos. Argentina campeã do mundo de 1986.

Maradona levantando taça da Copa do Mundo de 1986

Time base: Pumpido, Cuciuffo, Brown e Ruggeri; Giusti, Burruchaga, Batista, Héctor Enrique, Olarticoechea; Maradona e Valdano.
Treinador: Carlos Bilardo

França 1998

Seleção Francesa de futebol na copa do mundo de 1998

A seleção da França de 1998 foi uma seleção construída, passo a passo, para ser vitoriosa. Com a confirmação da França como país sede da Copa do Mundo de 1998, a confederação francesa de futebol, começou a trabalhar no projeto de conquistar o título mundial. E o trabalho seria duro, pois a França sequer classificou-se para a Copa do Mundo anterior, a de 1994, onde perdeu a vaga para Suécia e Bulgária no Grupo 6 das eliminatórias europeias.

O nome escolhido, ainda em 1994 para a condução do projeto foi o treinador Aimé Jacquet e ele começou a partir de um modelo consolidado. Usou a base da equipe do Olympique de Marselha, campeão europeu em 1993 para começar a formar um time. Do Olympique trouxe o goleiro Barthez, os zagueiro Desailly e o experiente Laurent Blanc e principalmente, a liderança do volante capitão Deschamps. Completou o meio e campo com o volante Petit do Arsenal, o meia atacante Djorkaeff, da Inter de Milão, além de Karembeu do Real Madrid e é claro, Zinedine Zidane, que já brilhava na Juventus e era a grande estrela da seleção francesa. Para as alas, trouxe Bixente Lizarazu, do Bayern de Munique e Lilian Thuram do Parma. Sem falar da juventude de duas jovens promessas do futebol francês: Trezeguet e Thierry Henry.

O grande teste para a seleção seria a Eurocopa de 1996 e a seleção não correspondeu, acabou perdendo para a República Checa, na cobrança de penalidades nas semifinais e deixou muitas dúvidas quanto ao potencial da seleção.

Mas chegou a Copa do Mundo e a seleção não decepcionou. Fez sua estreia diante da África do Sul e venceu por 3 x 0, com gols de Dugarry, Issa e Henry. Na sequência, nova goleada, agora por 4 x 0 frente a Arábia Saudita, com dois gols de Henry, um gol de Trezeguet e outro de Lizarazu. Fechou o grupo e garantiu a primeira colocação com a vitória por 2 x 1 frente a Dinamarca, com gols de Djorkaeff e Petit.

Nas oitavas de final, um jogo dramático: contra o Paraguai de Chilavert, Arce, Gamarra e do treinador Carpeggiani, a França teve dificuldades de furar o bloqueio paraguaio e o gol somente saiu na prorrogação, no chamado Gol de Ouro (ou morte súbita), marcado por Laurent Blanc que garantiu a França nas quartas-de-final, para enfrentar a poderosa seleção italiana. Contra a Itália, o drama foi até as penalidades máximas em um grande jogo, com oportunidades de ambos os lados, mas que terminou em 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação. Na cobrança de penalidades, o volante italiano Luigi Di Biagio acertou o travessão e a França avançou para as semifinais, onde enfrentou a Croácia. E os franceses saíram atrás, com o gol do atacante Suker, goleador da copa de 1998. Mas o lateral Thuram teve o seu grande jogo da vida, marcou duas vezes e virou o marcador para 2 x 1, colocando a França na final contra o Brasil, quem era o atual campeão do mundo naquele momento.

A história da final, todo brasileiro conhece bem. Ronaldo Fenômeno tem convulsões na véspera do jogo e sua presença na partida chega a ser descartada. De última hora no entanto, Ronaldo é escalado mas a França passeia em campo e goleia o Brasil, pelo placar de 3 x 0 com dois gols Zidane e um de Petit, já no final da partida. França campeã do mundo. A história está escrita.

Time base: Barthez; Thuram, Desailly, Blanc (Leboeuf) e Lizarazu; Deschamps, Petit, Karembeu e Zidane; Djorkaeff (Trezeguet) e Guivarc’h (Henry).
Técnico: Aimé Jacquet

Alemanha 1990

Em 1989 a Alemanha viveu um dos momentos mais marcantes da sua história: a queda do muro de Berlim, que durante 3 décadas separou a Alemanha entre o regime socialista (Alemanha Oriental) e o capitalista (Alemanha Ocidental). E para confirmar o grande momento vivido pelo país, o ano de 1990 chegou com mais uma conquista alemã: o tricampeonato mundial.

A sempre disciplinada e vitoriosa seleção alemã, depois de ter vencido a copa de 1974 já havia chegado a duas finais de copa do mundo consecutivas e em ambas ficou com o dissabor da derrota. Em 1982 perdeu para a Itália pelo placar de 3 x 1 e em 1986 perdeu para a Argentina de Maradona por 3 x 2, quando, depois de sair perdendo por 2 x 0 chegou ao empate faltando 10 minutos para o final, mas viu Burruchaga marcar o terceiro gol argentino, sacramentando o título para “los hermanos”. As duas derrotas fizeram com que uma geração de craques como Karl-Heinze Rummenigge, Ditmar Jakobs, Harald Magath e o goleiro Harald Schumacher não conquistassem um título de copa de mundo.

Apesar da derrota na final para a Argentina em 1986, a Alemanha manteve o treinador Franz Beckenbauer no cargo e a continuidade do trabalho já deu resultados nas eliminatórias, onde a Alemanha passou incólume, sem sofrer nenhuma derrota em um grupo difícil com a Holanda, de Van Basten, Rijkaard e Gullit, então campeã da Europa e sensação naquele momento.

Classificada para a copa do mundo, a seleção alemã sabia que não encontraria facilidades. Teria pela frente adversários fortes como a atual campeã do mundo, a Argentina, a campeã europeia Holanda, a anfitriã Itália e a sempre perigosa seleção brasileira. Como cabeça de chave, a Alemanha ficou no grupo D com Iuguslávia, Colômbia e Emirados Árabes Unidos. E o começo foi arrasador, com uma goleada de 4 x 1 sobre a Iuguslávia, com 2 gols de Lothar Mathaus, 1 gol de Klinsmann e 1 de Voller. No segundo jogo, nova goleada, agora frente os Emirados Árabes Unidos, pelo placar de 5 x 1, com gols de Voller (2), Klinsmann, Mathaus e Bein. No terceiro e último jogo da fase de grupos, o empate com a Colômbia garantiu a liderança do grupo. O jogo terminou 1 x 1 e Littbarski marcou para os alemães.

Nas oitavas de final, a Alemanha encontrou sua pedra no sapato: a Holanda. A laranja mecânica já havia eliminado os alemães na Copa de 1978. Além disso, o carrossel holandês chegou a Itália como favorita a conquista do mundial depois de vencer a Copa da Europa, eliminando os próprios alemães em 1988. E não bastasse, as duas seleções haviam ficado no mesmo grupo das eliminatórias e a Holanda ficou com o primeiro lugar da chave. Mas dessa vez deu Alemanha. Klinsmann e Brehme marcaram para os alemães e Koeman descontou para os holandeses, quase ao final da partida. Vitória de 2 x 1 e vaga nas quartas de final, onde a Alemanha enfrentou a Tchecoslováquia e venceu pelo placar mínimo de 1 x 0, gol de Lothar Mathaus, de pênalti ainda no primeiro tempo.

Nas semifinais a Alemanha enfrenta a Inglaterra dos astros Gascoigne e Lineker. E foi um grande jogo! Com uma seleção inglesa muito perigosa em suas investidas no ataque mas que não encontrava o gol, a Alemanha marcou primeiro aos 15 do segundo tempo com Brehme em cobrança de falta. Mas faltando apenas 10 minutos para acabar o jogo, Lineker empatou o jogo e levou a partida para a prorrogação. Depois do empate no tempo adicional, a decisão foi para os pênaltis onde Pearce e Wadle perderam suas cobranças para a seleção inglesa e os alemães venceram por 4 x 3. Alemanha finalista da copa do mundo pela terceira vez consecutiva, feito inédito até então.

Maradona marcado por Matthaus e Voller na final da copa de 1990

Na final, o adversário era nada mais e nada menos que a então campeã do mundo, a Argentina de Maradona. A Alemanha foi superior durante a maior parte do jogo e foi recompensada com um pênalti (duvidoso, é verdade) aos 39 minutos do 2 tempo. Brehme, sempre ele, bate e converte. Vitória por 1 x 0 e a Alemanha é tricampeã do mundo!

Time base: Illgner; Buchwald, Aughentaler e Kohler; Berthold (Reuter), Hassler (Moller), Lothar Mathaus, Bein (Littbarski) e Brehme; Voller (Riedle) e Klinsmann.
Técnico: Franz Beckenbauer

Itália 1982

Seleção italiana de futebol na copa do mundo de 1982

A seleção azurra de 1982 venceu uma das copas mais difíceis de toda a história. Uma copa do mundo que tinha a França de Michel Platini, a Alemanha de Rummenigge, a Argentina de Maradona e Mario Kempes e é claro, o Brasil de Zico, Sócrates e cia. Mas a Itália tinha Paolo Rossi. E não apenas Rossi. Tinha Zoff, Cabrini, Gentille, Colovatti, Scirea, Tardelli. E tinha o comando de Enzo Bearzot, que não agradava os italianos por ser demasiadamente ofensivo.

A Itália chegava a copa logo após o escândalo da manipulação de resultados, quando Milan e Lazio foram rebaixados a Série B e jogadores chegaram a ser presos ou interrogados. Até mesmo Paolo Rossi, que acabou suspenso por 3 anos e teve sua pena reduzida a 2, para que pudesse disputar a copa do mundo de 1982.

E o começo foi muito difícil. Na primeira fase, a Itália não venceu nenhum dos seus 3 jogos. Empate na estreia com a Polonia, em 0 x 0, seguido de outro empate com o Peru em 1 x 1, com gol de Conti para os italianos e no ultimo jogo, novo empate em 1 x 1 com a seleção de Camarões. Graziani marcou para a Itália aos 15 do segundo tempo, mas 1 minuto depois, Camarões empatou o jogo e ambas seleções ficaram com a mesma pontuação, de 3 pontos. A Itália passou pelo critério de mais gols marcados. Nesse momento, o treinador Enzo Bearzot anunciou que faria greve de silêncio com a imprensa, que criticava o modelo de jogo, pouco cauteloso na sua defesa.

Na fase seguinte, as seleções foram divididas em grupos de 3 seleções, onde apenas a primeira colocada passaria as semifinais. A azurra ficou no grupo com Brasil e Argentina. E jogando pela primeira vez um belo futebol, a Itália venceu a Argentina pelo placar de 2 x 1 com gols de Tardelli e Cabrini. O Brasil no entanto, também venceria a Argentina, só que pelo placar de 3 x 1, o que daria ao Brasil a vantagem de jogar pelo empate com a Itália para ficar com a vaga na semifinal.

Chegou então a batalha do Sarriá. Paolo Rossi ainda não havia marcado na copa do mundo e o adversário era o temido Brasil, que vencia e dava show em todos os jogos. E Paolo Rossi desencantou. Fez o maior jogo da sua carreira (o jogo virou até livro), marcou 3 vezes e deu a vitória a seleção italiana. A Itália estava nas semifinais.

O confronto semifinal foi contra a Polônia, com quem a Itália havia empatado na fase inicial. E novamente, Paolo Rossi brilhou. Marcou 2 vezes e deu a vitória aos italianos por 2 x 0. Itália na final.

No jogo final, duas seleções em busca do tricampeonato. Itália e Alemanha eram bicampeãs do mundo e uma delas se igualaria ao Brasil, único tricampeão do planeta. A Itália teve a grande oportunidade de sair na frente no primeiro tempo em pênalti marcado a seu favor, mas Cabrini chutou pra fora. No segundo tempo, show italiano. Paolo Rossi, Tardelli e Altobelli abriram 3 x 0 e nem o gol alemão no final da partida não fez nenhuma diferença na festa italiana do tricampeonato.

Italia levanta taça na copa do mundo de 1982

Time base: Dino Zoff; Oriali (Antognoni), Bergomi, Scirea, Collovati e Cabrini; Bruno Conti, Gentile e Tardelli; Paolo Rossi e Graziani (Altobelli).
Técnico: Enzo Bearzot.

Inglaterra 1966

Seleção Inglesa de futebol copa de 1966

Quando Alf Ramsey assumiu o comando da seleção inglesa de futebol em 1963, foi enfático: “Seremos campeões!”. Até então, o país criador do futebol havia colecionado fracassos na copa do mundo que já era disputada a 36 anos, embora a seleção inglesa apenas desde 1950. Alf Ramsey assumia no ano seguinte a eliminação inglesa diante do Brasil na Copa de 1962. O English Team jogaria em casa, já que o país era sede da copa do mundo.

O treinador Alf Ramsey foi ousado e instituiu um sistema de jogo extremamente ofensivo, no modelo 4-2-4 onde Ball, Hurst, Hunt e Peters se encarregaram das jogadas ofensivas. Na defesa, uma linha de 4 jogadores com técnica e vigor físico com Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore e Wilson. Pelé considerou Bobby Moore como um dos seus mais implacáveis marcadores. No meio, dois ídolos do Manchester United, o volante Stiles que fazia companhia a um dos maiores jogadores do futebol inglês de todos os tempos, o meia atacante Bobby Charlton (irmão do zagueiro Jack Charlton). E no gol, nada menos que Gordon Banks, que em 1970 faria aquela que foi considerada a defesa mais difícil de todos os tempos em uma cabeçada de Pelé.

Com apenas 16 seleções disputando o mundial, as equipes foram divididas em 4 grupos. O grupo da Inglaterra tinha o Uruguai, o México e a França como adversários. O selecionado inglês começou tímido e no primeiro jogo empate em 0 x 0 com o Uruguai. No segundo jogo, vitória de 2 x 0 frente ao México, com gols de Charlton no primeiro tempo e Hunt na etapa complementar. E fechando a fase de grupos, vitória sobre a França por 2 x 0 com 2 gols de Hunt e a classificação em primeiro lugar da chave.

Nas quartas de final a Inglaterra encontrou a Argentina. Ali começava uma rivalidade histórica. A polêmica expulsão do argentino Rattin fez a FIFA criar os cartões amarelo e vermelho. O English Team eliminou a Argentina pelo placar de 1 x 0, gol de Hurst. Na semifinal, o adversário foi Portugal de Eusébio quem já havia eliminado o Brasil na fase de grupos. A Inglaterra venceu por 2 x 1 com 2 gols de Charlton. Eusébio descontou para os portugueses. O selecionado inglês estava na final.

A final foi um jogo histórico. No estádio de Wembley, 96 mil pessoas viram Alemanha e Inglaterra decidir a copa de 1966. Os alemães logo calaram os milhares de ingleses presentes em Wembley e abriu o marcador com Haller, aos 12 minutos do 1 tempo. Hurst no entanto – que seria a estrela daquele jogo – empatou logo depois aos 18 minutos. No segundo tempo, Peters marcou aos 33 para os ingleses e este parecia ser o gol do título. Mas faltando 1 minuto para o final, a Alemanha empatou com gol de Weber. O resultado de 2 x 2 levava o jogo a prorrogação, onde definitivamente a estrela de Hurst brilhou. Primeiro com uma das maiores polêmicas da história das copas: Hurst chutou, a bola bateu no travessão e quicou no chão, saindo para fora. O árbitro validou o gol. Anos depois, a tecnología confirmaria que a bola não entrou. Hurst marcaria novamente ainda neste jogo, o 4 gol inglês (terceiro dele na partida) e deu aos ingleses seu primeiro título mundial. Inglaterra 4 x 2 Alemanha, festa no estádio Wembley.

Jogadores ingleses com a taça de campeao da copa do mundo de 1966

Time base: Gordon Banks; Cohen, J. Charlton, Bobby Moore e Wilson; Stiles e Bobby Charlton; Ball, Hurst, Hunt e Peters.
Técnico: Alf Ramsey

Holanda 1974

Laranja mecânica, carrossel holandês, futebol total. Não faltam nomes para a seleção que encantou o mundo na copa de 1974. Uma seleção que não conquistou o título, mas que revolucionou o futebol. Time duro, competitivo, com jogadores de qualidade que sabiam jogar em qualquer posição. Era um time refinado, mas impiedoso, onde todos se comprometiam a roubar a bola do adversário ou a forçar o seu erro.

Seleção Holandesa Copa do Mundo de 1974

Comandada fora de campo por Rinus Michels e dentro pelo astro Johan Cruyff, a seleção holandesa trouxe, naquela copa, algo totalmente inovador no futebol até então: revezamento de posições, marcação intensa, velocidade, toque de bola, marcação alta. Tudo ao mesmo tempo. Como era possível 2, 3, ou até 4 jogadores marcando apenas 1 adversário? Os rivais, atordoados, não encontravam saída para um esquema de jogo jamais visto.

Vale lembrar, que ao chegar na Copa do Mundo de 1974, a seleção holandesa era insignificante na história das copas. Havia disputado apenas duas copas, sendo eliminado na primeira fase em ambas: 1934 e 1938. Por outro lado, a Holanda chega na copa com a base do Ajax, tri campeão da Champions League, de 1971, 1972 e 1973.

Logo na estreia do mundial de 1974, o time holandês encarava a seleção uruguaia de Forlán, Espárrago e Pedro Rocha. A cadência sul americana foi atropelada pelo sistema de marcação do carrossel holandês, que rapidamente roubava a bola do adversário e bombardeava o gol do goleiro uruguaio. A Holanda vence por 2 x 0, com dois gols do atacante Johnny Rep, mas poderia ter goleado.

No segundo jogo, no entanto, o empate em 0 x 0 com a Suécia fez pensar que o jogo frente ao Uruguai era uma exceção.

Mas no terceiro jogo, outro atropelamento. A Holanda vence a Bulgária pelo placar de 4 x 1 , gols de Nesskens, duas vezes, Johnny Rep e De Jong. Com a vitória, a Holanda avança para a segunda fase.

A seguinte fase seria mais dura. Diferente da copa anterior e do modelo atual, a Copa de 1974 dividia os 8 classificados em 2 grupos de 4 equipes, onde apenas o primeiro colocado avançaria para a decisão. E o grupo da Holanda não era nada modesto, com Argentina, Brasil e Alemanha Oriental.

No primeiro jogo da fase decisiva, o carrossel holandês apresentou todas as suas armas: toque de bola, ocupação de espaços, movimentação, enfim, o futebol Total. Amassou a seleção argentina e aplicou implacáveis 4 x 0, com dois gols de Johann Cruyff, Krol e Johnny Rep. No jogo seguinte, vitória por 2 x 0 contra Alemanha Oriental, com gols de Neeskens e Resenbrink. E no último jogo, confronto direto valendo vaga na final frente ao Brasil, quem era o atual campeão do mundo. O Brasil de Leão, Luis Pereira, Rivelino e Jairzinho (Pelé já não jogaria mais pela seleção) não conseguiu jogar e viu Johann Cruyff e Neeskens marcarem os 2 gols da vitória holandesa. Holanda na final.

Na final, contra o país sede da copa do mundo, a Holanda chegou como favorita. O mundo já estava rendido a um futebol implacável e impossível de parar. E o que aconteceu no começo daquele final, jamais se repetiu na história da copa do mundo: 15 passes, bola dentro da área adversária, pênalti e gol da Holanda. Ou seja, quando os alemães tocaram na bola pela primeira vez, já perdiam por 1 x 0.

A Alemanha de 1974, no entanto, não era qualquer seleção. A Alemanha era a atual campeã da europa, com craques como Sepp Maier, Vogts, Paul Breitner, Gerd Muller e Franz Beckenbauer. E os alemães conseguiram a virada, vencendo por 2 x 1, conquistando o título e frustrando, não apenas os holandeses, mas o mundo inteiro, que esperava a consagração daquele futebol jamais visto.

Time base: Jan Jongbloed, Wim Suurbier, Arie Haan, Wim Rijsbergen e Ruud Krol; Van Hanegem, Johan Neeskens, Wim Jansen e Rob Rensenbrink; Johan Cruyff e Johnny Rep.
Treinador: Rinus Michels

Brasil 1982

Seleção brasileira na copa de 1982

O Brasil de 1982 traz ao brasileiro sentimentos desencontrados. Traz alegria pelo seu futebol, um dos mais belos já vistos com a amarelinha e traz a tristeza da derrota. E que derrota amarga.

Todos sabemos que o futebol permite isso: nem sempre, o melhor vence. O Brasil foi eliminado na segunda fase, mas foi considerado pela imprensa mundial como a melhor seleção da copa de 1982. O treinador italiano, campeão do mundo em 1982, Enzo Bearzot chegou a dizer que o Brasil não foi a copa para ganhar e sim para dar espetáculo, e que isso havia sido o diferencial em relação a seleção italiana.

O Brasil de 1982 tinha Waldir Peres no gol, que não era uma unanimidade, mas que fez uma boa copa do mundo. Leandro era o lateral habilidoso e com excelente visão de jogo e incansável, já que pela ausência de um ponta direita – origem da famosa frase “bota ponta Telê” – era obrigado a apoiar no ataque e voltar em velocidade na marcação. A dupla de zaga era muito técnica, com Oscar e Luizinho, mas sofreu muito em um time extremamente ofensivo e que terminava exposto nos contra-ataques dos rivais. Na lateral esquerda, talvez o melhor lateral de todos os tempos: Júnior. Chegando ao meio do campo, difícil pensar que poderia ser melhor: Toninho Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico. A precisão de Cerezzo, a elegância de Falcão, a genialidade do Doutor Sócrates e a maestria e técnica de Zico, construíram um meio campo de toque de bola e técnica impecáveis. Infelizmente, Toninho Cerezzo ficou marcado pelo passe errado no segundo gol de Paolo Rossi no jogo da eliminação, mas até então, havia feito uma copa do mundo impecável. E no ataque, Éder Aleixo, rápido, habilidoso e sempre perigoso fazia companhia a Serginho Chulapa, sempre letal dentro da área. Enfim, uma seleção inesquecível.

O Brasil começou a copa com um susto: na falha de Waldir Peres, a URSS abriu o marcador no jogo de estreia na copa do mundo, mas o Brasil virou o jogo com gols Sócrates e Éder Aleixo, ambos na etapa complementar. No segundo jogo, novamente o Brasil sai atrás frente a Escócia, e vira o marcador com gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão. No último jogo da primeira fase, o Brasil já classificado venceu com tranquilidade a Nova Zelândia, com gols de Zico (2), Falcão e Serginho Chulapa.

Na segunda fase, o Brasil fica em um grupo com Argentina e Itália, onde apenas o primeiro classificado avança para as semifinais. No primeiro jogo, vitória avassaladora contra a Argentina, pelo placar de 3 x 1, gols de Zico, Serginho Chulapa e Júnior. Bastaria um empate contra a Itália, para chegar às semifinais.

Chega então o jogo que ficou conhecido como a Tragédia do Sarriá, tamanha a decepção e tristeza que assolou os brasileiros. A Itália havia empatado todos os jogos da fase de grupos e vinha da primeira vitória na copa frente a Argentina, enquanto o Brasil havia vencido e dado show em todos os jogos. O Brasil era favorito. Mas a Itália tinha Paolo Rossi, que abriu o marcador logo aos 5 minutos de jogo. Ao Brasil, bastava o empate para avançar às semifinais e ele veio logo aos 12 minutos com Sócrates. Aos 25 minutos, Paolo Rossi marcaria novamente, deixando a Itália em vantagem. A partir de então, passou bastante tempo, até que chega o gol salvador, o gol que classificaria o Brasil para as semifinais, o gol de Falcão, aos 23 da etapa complementar. Mas a alegria durou exatos 6 minutos. Paolo Rossi (de novo ele), marca o terceiro e decisivo gol a favor da Itália. Brasil eliminado.

Telê Santana, resumiu com aquela seleção com as seguintes palavras: “Voltem tranqüilos para o Brasil. Vocês jogaram o melhor futebol da Copa e o mundo inteiro aplaudiu o nosso time.”

Time base: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Toninho Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico; Éder Aleixo e Serginho Chulapa.
Treinador: Telê Santana

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