Uma velha frase do futebol vem sendo derrubada ano após ano. É a frase “time grande não cai”. Cai sim. Porque o futebol já não perdoa camisa ou grandeza. Cada vez mais podemos ver más gestões sendo penalizadas com o maior dos castigos: o rebaixamento. 

Por isso, ao longo das décadas, grandes clubes do Brasil e do mundo enfrentaram o fantasma do rebaixamento. 

Vamos aqui listar os rebaixamentos dos maiores clubes do Brasil e do mundo. 

Clubes grandes rebaixados no Campeonato Brasileiro  

Grandes clubes brasileiros rebaixados

Cruzeiro 2019 

O mais recente em nossa lista é o Cruzeiro. O clube mineiro conheceu oficialmente a sensação de um rebaixamento no dia 8 de Dezembro de 2019, na derrota frente ao Palmeiras pelo placar de 2 x 0.  A derrota o deixou na 17ª posição na tabela, 3 pontos atrás do Ceará, 16º colocado e na Série B de 2020. 

E o Cruzeiro fez força para cair. Nas últimas 9 rodadas, o time da raposa não venceu nenhum jogo, marcou apenas 2 gols e nos últimos 5 jogos, perdeu todos. Adilson Batista, o técnico do último jogo assumiu o clube faltando 3 rodadas para o final, mas seu desempenho não poderia ter sido pior: 3 jogos, 3 derrotas, 5 gols sofridos e nenhum gol marcado. Antes de Adilson, o clube mineiro teve 3 treinadores: Mano Menezes, Rogério Ceni (que ficou apenas 1 mês no clube) e Abel Braga. 

O time do Cruzeiro no último jogo teve: Fábio; Orejuela (Weverton), Léo, Cacá e Dodô; Henrique, Éderson, Jadson e Marquinhos Gabriel; Pedro Rocha (Maurício) e Ezequiel (Sassá).  Mas também fizeram parte do elenco e da desastrosa campanha os laterais Edílson e Egídio, o zagueiro Dedé, os meia-atacantes Robinho, Rodriguinho e Thiago Neves, além do centroavante Fred.

Internacional 2016

O ano de 2016 foi o pior da história do Internacional. Um ano que começou bem com o título do campeonato gaúcho, terminou de maneira trágica, com o rebaixamento do clube a Série B do Brasileirão. 

Uma péssima gestão, uma sucessão de erros e constantes trocas de treinadores fizeram com que o clube mergulhasse em uma crise. Com 4 técnicos durante o campeonato brasileiro – Argel, Falcão, Celso Roth e Lisca – e confusões de vestiário como o soco de Anderson em William, o clube sucumbiu. 

Por incrível que pareça, o Internacional teve arrancada espetacular no campeonato. Na 8ª rodada era líder isolado do campeonato, com 79% de aproveitamento. Depois da 8ª rodada no entanto, foram 14 jogos sem vencer. No meio destes 14 jogos, Argel saiu, veio Falcão, que também saiu e chegou Celso Roth que dirigiu o time 22 jogos com apenas 36% de aproveitamento. Na reta final veio Lisca que tinha apenas 3 rodadas para livrar o time do rebaixamento, o que não aconteceu. Em 3 jogos, Lisca teve 1 vitória, 1 empate e 1 derrota e o Internacional foi rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro. 

O Internacional do último jogo teve: Danilo Fernandes; William, Paulão, Ernando e Alex (Andrigo); Anselmo, Rodrigo Dourado, Anderson; Valdívia (Gustavo Ferrareis), Nico López e Vitinho (Ariel). Participaram também da campanha do rebaixamento os laterais Ceará e Geferson, o volante Fernando Bob e o meia venezuelano Seijas.

Vasco 2015 

Um ano que começou grandioso para o Vasco com o título carioca depois de 12 anos de espera, terminou de maneira triste para o cruz-maltino. O Vasco em 2015 foi rebaixado pela terceira vez em sua história. 

Uma sucessão de erros de gestão fizeram com que o clube voltasse para a segunda divisão apenas uma temporada depois do seu regresso. Entre as trapalhadas, a contratação de 31 jogadores com 6 deles indo embora antes mesmo do final do campeonato. Outra, muito frequente entre os clubes rebaixados, a dança das cadeiras no cargo de treinador, o Vasco teve 3 treinadores ao longo do campeonato: Doriva, Celso Roth e Jorginho. E finalmente, um discurso “arrogante” do presidente Eurico Mirando, que negou qualquer possibilidade de rebaixamento durante todo o campeonato.

No primeiro turno, a campanha do Vasco foi uma das piores da história. Fez apenas 13 pontos, ficando 7 pontos distante do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Sem conseguir vencer em São Januário, o clube até tentou mandar seus jogos no Maracanã, mas também não adiantou. O Vasco, que entrou na zona de rebaixamento na 4ª rodada jamais saiu dela. Apesar da grande reação depois que Jorginho assumiu o comando da equipe o time terminou rebaixado com um empate em 0 x 0 contra o Coritiba, no Couto Pereira, no Paraná, em jogo válido pela última rodada. 

O time do Vasco no jogo do rebaixamento teve: Martín Silva, Madson, Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Diguinho (Mateus Pet), Serginho, Bruno Gallo (Leandrão) e Nenê; Jorge Henrique e Riascos (Rafael Silva). Além deles, também participaram da campanha do rebaixamento o zagueiro Luan, o volante argentino Pablo Guiñazú, os meias Montoya e Andrezinho e o atacante Romarinho. 

Botafogo 2014

Em 2014, o Botafogo foi rebaixado pela segunda vez em sua história para Série B do campeonato brasileiro. Na derrota para o Santos por 2 x 0, a estrela solitária não teria mais condições de buscar a salvação na última rodada.

No mesmo ano em que o Botafogo retornava a disputar uma Copa Libertadores, depois de 18 anos de ausência, o clube sucumbiu no campeonato nacional. Mas não foi por acaso: do time titular que fez a estreia na Libertadores, apenas o goleiro Jefferson e Gabriel estavam em campo no jogo do rebaixamento, na penúltima rodada. A montagem e desmontagem de um elenco em meio a temporada cobrou um preço alto. Somando-se a isso a aposta em um treinador sem experiência, atrasos nos pagamentos de salários, receitas penhoradas e ameaça de greve dos jogadores encontramos suficiente explicação para um rebaixamento praticamente inevitável.

A espinha dorsal do Botafogo 4º lugar de 2013 começou a ser desmanchada ainda no final do ano com as saídas de Vitinho, Felype Gabriel e Andrezinho e continuou no início de 2014 com as saídas de Seedorf, Rafael Marques, Hyuri e Elias. E durante a temporada, mais debanda: Dória foi negociado com o Olympique da França, Lodeiro foi para o Corinthians e Jorge Wagner para o Japão. O time estava desmontado.

Sem renovar com o treinador Oswaldo Oliveira que comandou o time em 2013, o Botafogo apostou em seu auxiliar, o inexperiente Eduardo Hungaro para a Libertadores e o time ficou em último lugar no seu grupo. Foi contratado então Vagner Mancini para o campeonato brasileiro e o treinador comandou o time durante todo o campeonato. A ideia de manutenção de trabalho não deu resultado.

O time do jogo do rebaixamento teve: Jefferson, Régis, Dankler, André Bahia e Júnior César; Airton, Gabriel, Andreazzi (Murilo) e Ronny (Gegê), Bruno Correa (Maikon) e Yuri Mamute. Também participaram da campanha do rebaixamento os zagueiros Mario Risso e Bolívar, os laterais Júlio César e Edilson, o volante Rodrigo Souto, os meias Jobson e Carlos Alberto e os atacante Ferreyra e Emerson.

Vasco 2013

O Vasco amargou em 2013 o segundo rebaixamento da sua história. O cruz-maltino acumulou problemas ao longo do ano que conduziram o clube para a Série B pela segunda vez em apenas 5 anos. Entre os muitos problemas, um dos mais importantes foi a crise financeira do clube, que teve receitas bloqueadas na justiça por conta de dívidas com a Fazenda Nacional. Outro foi a saída de jogadores importantes como a dupla de zaga Dedé e Douglas, ambos vendidos, o atacante Éder Luís, emprestado e Alisson liberado.

A dança das cadeiras também esteve presente no Vasco de 2013. Com 4 diferentes treinadores ao longo da temporada, o Vasco não conseguiu jamais estabelecer um sistema de jogo consistente. O primeiro foi Gaúcho, demitido ainda durante o campeonato carioca e substituído pelo renomado Paulo Autuori. Com a quebra da promessa de colocar os salários em dia, o treinador pediu demissão e foi substituído por Dorival Júnior, que comandou o clube por 3 meses e meio e o deixou na 18ª posição, já na zona de rebaixamento e faltando apenas 7 rodadas para o final do campeonato. O último treinador contratado foi Adilson Baptista, que não conseguiu com o pouco tempo que lhe restava recuperar o time e evitar o rebaixamento.

E o rebaixamento chegou com direito a humilhação. O Vasco foi goleado pelo Atlético Paranaense por 5 x 1 na Arena Joinville em SC. O time jogou com: Alessandro, Fagner, Renato Silva, Cris e Yotún; Abuda, Wendel (Bernardo), Pedro Ken e Marlone (Tenorio); Thalles (Reginaldo) e Edmílson. Também estavam no elenco vascaíno nesta temporada o goleiro Michel Alves, o zagueiro Rafael Vaz e o centroavante André.

Palmeiras 2012 

O Palmeiras de 2012 logrou uma façanha: foi campeão da Copa do Brasil e rebaixado no campeonato brasileiro. Há quem acredite que o título da Copa do Brasil, em um torneio “mata-mata” escondeu as deficiências do elenco e contribuiu para a tragédia.

Também é verdade que o  Palmeiras de 2012 sofria os resquícios da “Era Belluzzo”, que assumiu com a missão de pagar as dívidas do clube, mas acabou endividando-o ainda mais. Também sofria ainda as consequências da parceria com a Traffic  que trouxe para o clube jogadores caros e badalados mas que não deram o resultado esperado. Com isso, a falta de recursos fez o clube manter grande parte do elenco de 2011 mesmo depois de um campeonato “meio da tabela” (ficou na 11ª posição em 2011).

No comando técnico, Felipão ficou a frente da equipe em 24 das 38 rodadas, e com apenas 4 vitórias, acabou demitido após a derrota para o Vasco pelo placar de 3 x 1. Em seu lugar chegou Gilson Kleina, com a missão de resgatar um time sem confiança, que até arrancou bem, com duas vitórias em seus 2 primeiros jogos. Mas na sequencia, uma goleada contra o São Paulo, uma derrota para o Coritiba em casa e a inesperada derrota para o Náutico deixaram o time em descrédito novamente. Finalmente, no fatídico jogo contra o Flamengo, veio o rebaixamento no gol de empate de Vagner Love, faltando 2 minutos para o fim do jogo e 2 rodadas para o fim do campeonato.

O Palmeiras no jogo do rebaixamento teve: Bruno; Artur (Obina), Maurício Ramos, Román e Juninho; Márcio Araújo, Correa, Tiago Real (Vinícius) e Mazinho (Bruno Dybal); Maikon Leite e Barcos. Participaram também da campanha do rebaixamento em 2012 o zagueiro Henrique, os volantes João Denoni e Wesley, os meias Marcos Assunção e Valdívia e o atacante Luan.

Vasco 2008 

O ano de 2008 foi o ano do primeiro rebaixamento do Clube de Regatas Vasco da Gama, um dos maiores clubes do Brasil. Afundado em uma crise política, que teve até disputa na justiça comum entre Roberto Dinamite e Eurico Miranda devido a irregularidades na eleição em 2006, o Vasco perdeu para si mesmo. 

Nem mesmo o retorno do ídolo Edmundo foi capaz de salvar o clube do rebaixamento. Com troca de diretoria no meio do ano e 5 treinadores (Romário, Alfredo Sampaio, Antônio Lopes, Tita e Renato Gaúcho). Em 38 jogos, o Vasco venceu 11 vezes, empatou 7 e perdeu 20 partidas, sofreu 72 gols e marcou 56. 

Com essa campanha, no dia 07 de Dezembro de 2008 o Vasco foi rebaixado pela primeira vez na sua história. Na última rodada, o Vasco chegou precisando vencer e torcer contra 3 adversários: Figueirense, Atlético Paranaense e Náutico. Deu tudo errado: Figueirense e CAP venceram, o Náutico empatou e o Vasco perdeu em casa para o Vitória por 2 x 0. 

O jogo do rebaixamento contou com o seguinte time: Rafael, Wagner Diniz, Jorge Luiz, Odvan e Johnny (Leandro Bomfim); Jonílson, Mateus (Faiolli), Madson e Alex Teixeira; Leandro Amaral e Edmundo. Também participaram da campanha do rebaixamento o goleiro Tiago, os zagueiro Eduardo Luiz e Vilson, o volante Souza, os meias Bruno Gallo e Pedrinho e os atacantes Alan Kardec e Villanueva. 

Corinthians 2007 

O rebaixamento do Corinthians pode ter começado no final de 2004, quando o clube, sob o comando de Alberto Dualib, aprovou uma parceria com a MSI (Media Sports Investiment), um fundo  de investimentos cujos recursos eram de origem desconhecida. A MSI colocou milhões no clube e com astros como Carlos Tevez, Mascherano, Carlos Alberto e Nilmar, o Corinthians conquistou o brasileirão de 2005.

Mas em 2006 a conta começou a chegar. Uma precoce eliminação na Libertadores, brigas internas entre dirigentes e o iraniano Kia Joorabchian, representante da MSI, eram frequentes. Em 2007 a crise então piorou: o clube ficou em 9º lugar no campeonato paulista e o clube começou a frequentar as páginas policiais com inúmeras denúncias sobre a gestão do presidente Alberto Dualib, que renunciaria em setembro. Ainda em Agosto e antes de sua renúncia, o presidente Dualib demitiu o técnico Paulo César Carpegiani e Zé Augusto, treinador da base foi efetivado, mas ficou apenas 1 mês e foi substituído por Nelsinho Baptista, que chegou a 11 rodadas antes do fim do campeonato e encontrou o time na 17ª posição, na zona de rebaixamento. Em outubro, Andrés Sanchez assume a presidência de um clube em crise e endividado.

Sob o comando de Nelsinho Baptista, o timão venceu apenas 2 dos 11 jogos restantes. E sem vencer nenhum jogo nas últimas 5 partidas, faltaram apenas 2 pontos ao Corinthians para escapar do rebaixamento. A sequência mortal das últimas rodadas teve derrota para Flamengo e Vasco e empate com o CAP, Goiás e Grêmio.

No jogo do rebaixamento o Corinthians contou com: Felipe; Fábio Ferreira, Zelão, Betão, Carlos Alberto e Bruno Octávio (Arce); Moradei, Vampeta (Héverton), Éverton Ribeiro (Aílton), Lulinha e Clodoaldo. Também participaram da campanha do rebaixamento os zagueiros Fábio Ferreira e Carlão, o lateral Marcelo Oliveira, o volante Nilton e os atacantes Finazzi e Dentinho.

Atlético MG 2005

O ano de 2005 marcou o primeiro rebaixamento da história do Clube Atlético Mineiro, o galo de Minas.

Com Tite no comando da equipe, o Galo estreou com goleada no campeonato brasileiro, vencendo o Figueirense por 4 x 1. Mas a partir da rodada 2 começou uma sequência de 8 jogos sem vitória. Na 17ª rodada, depois de derrota para o Paysandu, Tite pediu demissão e foi substituído por Marco Aurélio, que durou pouco tempo no cargo, até a chegada de Lori Sandri, faltando 8 rodadas para terminar a competição.

Lori Sandri bem que tentou, mas o time demorou para dar a resposta. Nos primeiros 3 jogos sob o comando no novo treinador, 2 derrotas e 1 empate. E então o time pareceu reagir. O Atlético venceu 3 jogos consecutivos contra Paysandu, Fluminense e Coritiba. Mas o empate com o Vasco em 0 x 0 no Mineirão, deixou o time sem chances de sair do Z4 e o Galo foi rebaixado com uma rodada de antecedência.

O time do Atlético no jogo do rebaixamento contou com: Bruno; Cáceres, Lima e Thiago Junio; Rodrigo Dias, Alicio, Rafael Miranda, Tchô (Rodrigo Silva) (Euller) e Rubens Cardoso; Renato e Pablito (Quirino). Além destes jogadores, participaram da campanha de 2005 o goleiro Danrlei, o lateral Edílson, os volantes Amaral e Fábio Baiano e os atacantes Ueslei, Catanha, Luis Mario, Marques, Rodrigo Fabri e Fábio Júnior.

Grêmio 2004 

O ano de 2004 marcou o segundo rebaixamento da história do Grêmio. E não foi qualquer rebaixamento. O Grêmio caiu com 4 rodadas de antecipação e terminou o campeonato na última posição, 9 pontos atrás do penúltimo colocado. Em 46 jogos, o Grêmio venceu apenas 9, empatou 12 e perdeu 25. Sofreu 80 gols. Uma campanha para esquecer.

Mas foi uma tragédia anunciada. Já em 2003 o Grêmio precisou vencer 4 das últimas 5 partidas para de maneira heroica escapar do rebaixamento. E no campeonato gaúcho, o Grêmio seria eliminado pela modesta equipe da Ulbra, perdendo pelo placar de 3 x 1. Tudo porque, para evitar o atraso de salários como ocorreu em 2003, fruto da fracassada aliança com a ISL, a direção decidiu reduzir mais ainda o investimento em folha de pagamento, e o resultado foi a pior campanha da história do tricolor no campeonato brasileiro.

O projeto era um time “bom e barato”. Não deu. E com a sempre fracassada receita da troca de treinadores, o Grêmio teve 4 técnicos diferentes no mesmo campeonato. Começou com Adilson Baptista, que saiu depois de 8 jogos e apenas 2 vitórias. Chegou José Luis Plein, que em 21 jogos conquistou apenas 4 vitórias. Foi substituído por Cuca, que em 9 jogos perdeu 6, empatou 2 e venceu apenas 1. Finalmente, Claudio Duarte assumiria o clube faltando 8 rodadas para o final do campeonato, mas perdeu 6 vezes e venceu apenas 1.

O jogo do rebaixamento foi um histórico empate em 3 x 3 com o Atletico Paranaense, depois de estar perdendo por 3 x 0. Um empate no entanto que custou caro as duas equipes. Ao Grêmio porque com o empate foi rebaixado e ao Atlético, porque disputava o título e acabou ficando com o vice-campeonato, sendo o Santos o campeão.

No jogo do rebaixamento o Grêmio jogou com: Marcio, George Lucas, Alex Xavier, Baloy e Cristiano; Cocito, Leanderson (Bruno Coutinho), Felipe Melo (Luciano Santos) e Anderson (Roberto Santos); Marcelinho e Cláudio Pitbull. Participaram daquela campanha também o goleiro Tavarelli, os zagueiros Fábio Bilica e Capone, o meia Arilson e os atacantes Christian e Fábio Pinto.

Botafogo 2002 

O ano de 2002 foi o último antes da entrada na era de pontos corridos. E também o ano do primeiro rebaixamento do Botafogo. O clube viveu, dentro e fora de campo, momentos conturbados que culminaram com o descenso para a Série B do Campeonato Brasileiro.

O Botafogo usou a fórmula mágica do rebaixamento (sempre funciona) e teve 4 técnicos diferentes naquele ano. Começou com Arthur Bernardes, que logo foi substituído por Abel Braga. Como Abel também não conseguiu bons resultados, foi demitido a três rodadas do fim da competição e foi substituído pelo eterno ídolo botafoguense Carlos Alberto Torres, que não conseguiu evitar a tragédia.

Mesmo com alguns jogadores experientes como o goleiro Carlos Germano, os zagueiro Odvan e Gilmar e os meias Esquerdinha e Fabiano, o Botafogo não conseguia se impor no campeonato. E na última rodada, o Botafogo perdeu para ele mesmo. Os resultados paralelos estavam ajudando, o Botafogo jogava em casa e contra o time reserva do São Paulo. Mas nem assim o Botafogo escapou. Com um gol do atacante Dill, que em dois anos não havia marcado nenhum gol, o São Paulo vence por 1×0. Incrível. O Botafogo estava rebaixado para a segunda divisão do futebol brasileiro.

No fatídico jogo do rebaixamento, o Botafogo entrou em campo com: Carlos Germano; Márcio Gomes (Rodrigão), Gilmar, Sandro e Rodrigo Fernandes; Carlos Alberto, Almir, Lúcio e Esquerdinha (Camacho); Daniel (Geraldo) e Ademilson. Também participaram da campanha do rebaixamento o zagueiro Odvan e o meia Galeano.

Palmeiras 2002 

O Palmeiras de 2002 não tinha time para cair: no gol tinha Marcos, pentacampeão do mundo, nas laterais o paraguaio Arce campeão onde passou e o eficiente Rubens Cardoso. O polivalente Fabiano Eller que depois seria campeão do mundo pelo Internacional também estava no elenco. No meio estava Zinho, um dos maiores jogadores do futebol brasileiro e Nenê que depois se consagraria no PSG. E no ataque Dodô e  Vagner Love. Poderia não ser suficiente para disputar o título, mas o rebaixamento era algo impensável.

Mas começou bagunçado. Luxemburgo deveria ser o treinador do Palmeiras no campeonato brasileiro de 2002. Deveria. Logo após o primeiro jogo, o treinador anunciou sua saída e foi para o Cruzeiro, devido a uma proposta considerada “irrecusável”. PC Gusmão dirigiu o Palmeiras durante 1 jogo e Flávio Murtosa assumiu a equipe. Murtosa no entanto, também durou pouco e ficou apenas 4 jogos. Karmino Colombini dirigiu o clube em 1 jogo (interino) e Levir Culpi conduziu a equipe nos 18 jogos restantes do campeonato. Em meio a idas e vindas dos treinadores, o time não se ajustou.

A arrancada foi péssima. Nas primeiras 12 de um total de 25 rodadas, o Palmeiras venceu apenas um jogo. Depois uma sequência razoável, com 12 jogos sem derrota. Na última rodada, bastava vencer um Vitória sem ambições no campeonato e pronto. O jogo porém foi dramático e histórico, o Vitória largou na frente logo aos 3 minutos de jogo e o Palmeiras empatou 2 minutos depois. O Vitória então novamente se colocaria a frente e o Palmeiras voltaria a empatar. Mas duas falhas da zaga palmeirense custaram muito caro ao clube, o Vitória abriu 4 x 2 e o 3º gol palmeirense não mudou a realidade. Final 4 x 3 e o Palmeiras estava rebaixado à segunda divisão.

O time do Palmeiras no jogo do rebaixamento atuou com: Sérgio; Arce, Alexandre, César, Rubens Cardoso (Leonardo Moura); Paulo Assunção, Flávio (Nenê), Juninho, Zinho; Muñoz e Itamar (Lopes). Também participaram da campanha o goleiro Marcos, o meia Pedrinho e os atacantes Dodô e Anselmo.

Fluminense 1997

O Fluminense tem uma façanha ainda não repetida por um gigante do futebol brasileiro: ser rebaixado 3 anos consecutivos. Isso porque o clube já havia sido rebaixado em 1996. Mas uma “virada de mesa” manteve o Fluminense na Série A em 1997 quando o clube foi novamente rebaixado. Em 1998 disputaria a Série B e incrivelmente, seria novamente rebaixado, agora para a terceira divisão do futebol brasileiro. 

Resultado de uma gestão medíocre que vergonhosamente comemorou com champanhe a manutenção na Série A no tapetão depois de ter sido rebaixado dentro de campo, o clube cometeu os mesmos erros do ano anterior e ficou 20, das 25 rodadas, dentro da zona de rebaixamento.  

Quem começou o campeonato foi Hugo de Leon, demitido apenas 2 jogos, a derrota por 4 x 1 para o Palmeiras na estreia e o empate em casa em 1 x 1 contra o Cruzeiro. Foi substituído por Carbone que em 15 jogos, venceu apenas 2 e não resistiu a goleada em casa para o Sport, por 3 x 0. Chegou então Arthurzinho com a missão de salvar o Flu da degola nas 8 rodadas restantes, mas o treinador também não conseguiu e venceu apenas 2 das 8 partidas a frente da equipe. 

No Brasileirão de 1997, o tricolor das laranjeiras disputou 25 partidas e venceu apenas 4, empatou 10 e perdeu 11 jogos. Ficou na penúltima colocação e foi rebaixado faltando ainda uma rodada para finalizar a 1a fase da competição. No dia 03 de Novembro de 1997, no Alfredo Jaconi em Caxias do Sul, O Fluminense empatou com o Juventude em 1 x 1 e praticamente sacramentou o rebaixamento. O torcedor tricolor ainda precisou esperar 3 días para torcer contra Corinthians e Guarani e chegar com vida na última rodada, mas não teve jeito. O Corinthians venceu o Flamengo por 1 x 0 e o Guarani venceu o União São João, também pelo marcador de 1 x 0 e o Fluminense estava mais uma vez, matematicamente rebaixado para a Série B do Brasileirão. 

No jogo do rebaixamento o Fluminense atuou com: Fábio Noronha; Paulo César, Lima, César e Jorge Luís; Cadu, Dirceu, Nildo (André) e Yan (Roger); Roni (Arthur) e Paulinho McLaren. Também participaram da campanha do Fluminense o goleiro Alex, o zagueiro Marcio Costa, o volante Marcelo Cardoso e os atacantes Toninho e Flavinho.

Grêmio 1991 

O Grêmio foi o primeiro grande clube o futebol brasileiro a encarar a segunda divisão. Um rebaixamento difícil de entender. O Grêmio em 1990 chegou a 3ª colocação, foi eliminado pelo São Paulo nas semifinais. E o Grêmio de 1991 era praticamente o mesmo de 1990. A única mudança importante foi a saída do treinador Evaristo de Macedo e a chegada de Claudio Duarte. O elenco, no entanto, era praticamente o mesmo. Se comparada a escalação do Grêmio da semifinal de 1990 contra o São Paulo e o Grêmio da estreia no Brasileirão de 1991 diante do Goiás, a única mudança dos 11 titulares estava na lateral direita, onde Alfinete deu lugar a China.

Em um campeonato curto, com apenas 19 rodadas, o Grêmio somou apenas 3 vitórias. Na oitava rodada e com apenas 5 pontos conquistados, o Grêmio empatava em casa com o Flamengo e o resultado decretava a queda do treinador Claudio Duarte. A solução encontrada foi Dino Sani. Apesar do péssimo desempenho no Brasileirão, na Copa do Brasil o Grêmio avançava de fase em fase chegando inclusive a final da competição, quando perdeu para o Criciúma, mas não sem antes eliminar o atual campeão brasileiro Corinthians, na fase de quartas-de-final. Mas no campeonato brasileiro o drama seguia. A segunda vitória chegou apenas na 13ª rodada (3 x 0 contra o Sport Recife) e a terceira vitória chegava na penúltima rodada por 3 x 0 contra o Vasco.

Apesar da péssima campanha, na última rodada, bastava um empate contra o Botafogo, fora de casa, para manter-se na primeira divisão. Mas o empate não veio. A derrota por 3 x 1 para o Botafogo, que não tinha mais nada para disputar no campeonato, foi o golpe final de um ano para o torcedor gremista esquecer.

No fatídico jogo do rebaixamento o Grêmio jogou com: Gomes, Chiquinho, João Marcelo, Vilson e Helcio; Jandir, Donizete (Darci) , Caio e João Antonio (Nilson); Mauricio e Nando. Também participaram da campanha de 1991 o goleiro Sidmar, o lateral China, os volantes Norberto e Jamir, os meias Mabília e Assis e os atacantes Paulo Egídio e Alexandre. 

Outros grandes rebaixados pelo mundo 

Grandes clubes rebaixados no mundo

River Plate 2011

Em um 26 de Junho de 1996 o River Plate se sagrou Bicampeão da Copa Libertadores da América ao vencer o América de Cali na decisão pelo placar de 2 x 0. Quis o destino que no mesmo 26 de Junho, só que em 2011, o River Plate ao empatar com o Belgrano em 1 x 1 fosse rebaixado para a segunda divisão Argentina pela primeira vez na sua história. Na temporada 2011/12, o River Plate disputou a Série B Argentina e garantiu seu regresso a elite com o título do campeonato. 

Atlético de Madrid 2000 

O ano de 2000 foi trágico para o Atlético de Madrid que terminou rebaixado para a segunda divisão. É bem verdade que o time espanhol já havia sido rebaixado na temporada 1933/34, mas isso foi muito antes de ser o gigante que é na atualidade. O clube espanhol terminou a temporada 1999/2000 na 19ª e penúltima posição na tabela. Na temporada 2001/02 o Atlético de Madrid disputou a segunda divisão espanhola e sagrou-se campeão, garantindo assim seu retorno a Série A espanhola. 

Racing 1983 

Em 1983 o Racing de Avellaneda caiu para a segunda divisão. Depois do rebaixamento em do San Lorenzo em 1981, foi decidido estabelecer a modalidade de “médias” dos últimos 2 anos para o rebaixamento, justamente para proteger os grandes. Mas não deu certo para o Racing que por ter ficado na 16 posição em 1982 e na 17 posição em 1983, terminou rebaixado. Mas o novo sistema salvou o River Plate de cair, pois mesmo estando na 18 posição (atrás do Racing) foi salvo, visto que no ano anterior havia terminado em 10 lugar. O Racing conseguiu retornar a elite somente em 1985, com o vice-campeonato da segunda divisão argentina. 

Milan 1982 

O Milan foi rebaixado duas vezes na sua história, mas apenas uma dentro de campo. Em 1980, o clube foi rebaixado por um escândalo de manipulação de resultados. Foi campeão da segunda divisão no ano seguinte, mas no seu primeiro ano de volta a Série A, e imerso em uma crise, o clube ficou em 14º lugar (entre 16 times) e foi rebaixado junto com Bologna e Como. O Milan retornaria novamente a primeira divisão já no ano seguinte com o título da Série B italiana da temporada 1982/83.

Manchester United 1974

O Manchester United muito provavelmente é o maior clube do mundo a já ter sido rebaixado dentro de campo. Foi na temporada 1973/74. É verdade que o Manchester United já havia sido rebaixado em 1894, porém, tinha apenas 8 anos de fundação e era chamado de Newton Heath. Depois caiu novamente em 1922, 1931 e 1937. Mas em 1974, o clube já era o poderoso Manchester United e seu rebaixamento foi histórico. Na temporada seguinte, o Manchester United disputou a segunda divisão inglesa e foi campeão, garantindo assim, seu retorno para a primeira divisão. 

Curiosidades dos rebaixamentos no Brasil

Clubes brasileiros que nunca caíram 

Levando em conta campeonatos brasileiros no formato criado a partir de 1971, podemos afirmar que apenas 3 clubes fazem parte do seleto grupo de equipes que jamais caíram para a segunda divisão: Santos, São Paulo e Flamengo. Porém, só o Flamengo disputou todas as edições visto que Santos e São Paulo em 1979 decidiram boicotar o campeonato. 

Clubes mais vezes rebaixados na Serie A do Brasileirão

O clube mais vezes rebaixado na Série A do Brasileirão é o América MG, com 6 rebaixamentos. Veja a lista dos times com 4 ou mais rebaixamentos:

América-MG – 6 vezes – 1993, 1998, 2001, 2011, 2016 e 2018
Coritiba – 5 vezes – 1989, 1993, 2005, 2009 e 2017
Santa Cruz – 5 vezes – 1988, 1993, 2001, 2006 e 2016
Vitória – 5 vezes – 1991, 2004, 2010, 2014 e 2018
Sport Recife – 5 vezes – 1989, 2001, 2009, 2012 e 2018
Avaí – 4 vezes – 2011, 2015, 2017 e 2019
Criciúma – 4 vezes – 1988, 1997, 2004 e 2014
Goiás – 4 vezes – 1993, 1998, 2010 e 2015
Náutico – 4 vezes – 1992, 1994, 2009 e 2013

Técnicos brasileiros mais vezes rebaixados 

Os 3 treinadores brasileiros recordistas em rebaixamentos são Adilson Baptista, Gilson Kleina e Hélio dos Anjos. Veja os rebaixamentos de cada um: 

Adilson Batista

América-MG 2018 – 19 jogos
Joinville 2015 – 10 jogos
Vasco 2013 – 7 jogos
Atlético-GO 2012 – 2 jogos 
Atlético-PR 2011 – 6 jogos
Grêmio 2004 – 8 jogos

Gilson Kleina

Ponte Preta 2017 – 24 jogos 
Avaí 2015 – 34 jogos
Bahia 2014 – 19 jogos
Palmeiras 2012 – 13 jogos 
Paraná 2007 – 9 jogos
Paysandu 2005 – 16 jogos 

Hélio dos Anjos

Goiás 2015 – 8 jogos
Atlético-GO 2012 – 6 jogos
Figueirense 2012 – 7 jogos 
Fortaleza 2006 – 13 jogos  
São Caetano 2006 – 6 jogos 
Vitória 2004 – 8 jogos 

Jogadores brasileiros mais vezes rebaixados

Rafael Moura, o He-Man é o recordista em rebaixamentos no futebol brasileiro desde o início da era de pontos corridos (2003), com 5 descensos. Ele é seguido por outros 7 atletas, com 4 rebaixamentos cada um.
Veja a lista: 

Rafael Moura (atacante) – 5 vezes 

Vitória 2004
Paysandu 2005
Goiás 2010
Figueirense 2016
América MG 2018 

Edílson (lateral-direito) – 4 vezes 

Cruzeiro 2019
Botafogo 2014
Atlético PR 2011
Atlético MG 2005

Wilson (goleiro) – 4 vezes 

Figueirense 2008
Figueirense 2010
Vitória 2014
Coritiba 2017 

Everton Santos (zagueiro) – 4 vezes 

Corinthians 2007
Goiás 2010 
Figueirense 2016
Santa Cruz 2017* 
*Rebaixado na Série B 

Jonas (lateral-direito) – 4 vezes 

São Caetano 2006
Sport Recife 2009
Vitória 2010 
América MG 2016

Fernando Bob (volante) – 4 vezes 

Atlético GO 2012 
Ponte Preta 2013
Internacional 2016
Ponte Preta 2017

Nino Paraíba (lateral-direito) – 4 vezes 

Vitória 2010
Vitória 2014
Avaí 2015
Ponte Preta 2017 

Nunes (atacante) – 4 vezes 

Coritiba 2005
Fortaleza 2006
América de Natal 2007
Santo André 2009

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