A AUSÊNCIA DE SUL-AMERICANOS NAS SEMIFINAIS DA COPA É UM SINAL DOS TEMPOS

Por | 2018-07-09T22:18:32+00:00 09/07/2018|

A Copa do Mundo da Rússia está sendo uma competição bastante surpreendente, com jogos bem disputados, inclusive por seleções que eram consideradas coadjuvantes ou até mesmo figurantes, no período anterior ao início do Mundial. As surpresas ficam ainda mais evidentes com as quedas de gigantes como a Alemanha na primeira fase e até mesmo a Polônia, que foi cabeça de chave e saiu da Copa com apenas uma vitória e na última posição de seu grupo. No entanto o que mais impressiona é a ausência dos sul-americanos das semifinais, e isso não é apenas uma infeliz coincidência.

Desde a fase de grupos as seleções que mais se destacaram nesta Copa são as que tiveram total aplicação e obediência tática, muitas vezes abrindo mão do talento, pois nesta metodologia o talento não resolve, e sim ajuda, ou seja, não é o principal componente, mas apenas um componente. O futebol sul-americano ainda é muito dependente do brilhantismo de seus craques: Neymar, Messi, James Rodriguez, por exemplo. Os europeus apostaram na força do conjunto, no equilíbrio entre os setores (defensivo e ofensivo), jogaram um futebol pouco ousado, mas efetivo e eficiente, que não se abala, mesmo com a derrota, o sistema segue seu funcionamento até o final da partida. 

A rivalidade entre europeus e sul-americanos é tão antiga quanto a história das Copas, cujo primeiro campeão foi o Uruguai, em 1930 e em seguida a Itália em 1934, na última Copa a decisão foi entre argentinos e alemães, e os europeus sagraram-se campeões, porém nesta Copa desde as semifinais os sul-americanos já estarão ausentes, sendo que apenas dois estavam entre os oito participantes das quartas de final.
Apesar da presença maciça de jogadores sul-americanos nas principais ligas nacionais europeias, os técnicos do continente ainda seguem usando sistemas táticos que colocam o protagonismo das equipes nos pés dos craques, ao invés de priorizarem o coletivo de seus times. Nesta Copa de defesas sólidas, goleiros sendo decisivos e ataques econômicos, a força do conjunto decidiu jogos e o talento muitas vezes não foi nem figurante.

Texto extraído da Página Camisa 10 no Facebook – https://www.facebook.com/pagcaisa10/

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